terça-feira, 27 de março de 2012

Amanhã a Performance acontece dia e noite na praça do TAM, Teatro Alberto Maranhão



O Elefante Não Quer Só Comida (Performance - Enio Cavalcante) Na ultima terça feira dia 20/03 estava indo para o ensaio, dia de trabalho normal eram 13:30 quando encontro em um bar bem próximo da sede do grupo de teatro Facetas... Um amigo! De Infância! Sim seu olhar exclamou: Amigo! Ele estava sozinho e sem dinheiro, na sua mesa não tinha copo, mas, seu estado estava deplorável, se esforçando para falar e ficar de pé. Perguntou se eu poderia pagar uma cerveja e um cigarro em outro bar e se podia conversar um pouco, decidi atrasar um pouco meu ensaio, e pediu para que o acompanhasse. Pediu que dirigisse o carro dele então fomos. Ele então começou a narrar sua trajetória do dia anterior. Estava a mais de 24hs sem dormir, já tinha cheirado mais de 10 gramas de cocaína e já tinha rodado a cidade toda de bar em bar... mas, nosso papo ficou pesado quando ele me pediu para fazer teatro! Disse que não agüentava mais seus amigos só o procuravam para “cheirar”. Quando chegava do trabalho entrava num ócio insuportável e só tinha vontade de beber, e ele dizia: “Me chame para assistir uma peça sua, eu quero amizade de verdade, quero mudar!” e etc... Seus olhos lacrimejavam e os meus também... ele podia ter pedido segurança, educação, saúde, mas, não! Ele pediu Arte! Prometi ajudar, mas, não tinha muito tempo. Prometi que ia procurá-lo, ele me deixou no ensaio e seguiu dirigindo bêbado, prometeu ir pra casa dormir... À noite, por volta de 20hs, ele me ligou e disse: “Cara, finalmente cheguei em casa... vou dormir!”

Essa é uma realidade comum nos dias atuais, as pessoas estão vazias, sós. Nenhum cd da música do momento, nem umas cervejas e umas carreiras de “pó” podem livrar o ser humano do seu vazio. Existem coisas que esse consumismo exacerbado do ser humano atual não preenche e é cada vez mais comum doenças, violência, guerras, desrespeito, falta de ética, corrupção. O Governo tenta dizer que está melhorando, que o brasileiro pode comprar mais, mas, será que é de compras que o nosso povo precisa? Tudo que meu amigo pediu foi para ver teatro, e talvez, assim se preencher de algo. Pois ele me respondeu que o ser humano precisa de arte, ou então será incompleto, vazio. Seja fazendo, apreciando ou discutindo, nosso vazio só será preenchido com arte. Ela nos levará ao ser sensível, consciente, que faz escolhas e não deixa que façam por ele, um ser que participa da evolução da condição humana. A arte me transformou, se não, muito provavelmente, estaria no mesmo vazio junto ao meu amigo. É necessária uma grande tomada da arte, que não pode ser dissociada da saúde, educação e segurança. A melhoria desses segmentos só é possível com um ser humano consciente, disposto a evoluir, e um Estado que fomente essa prática. A arte deve fazer parte da vida das pessoas integralmente, na família, na escola, no trabalho, nas ruas, praças, nas zonas: rural, litoral e urbana. Todos os espaços ociosos, ou não, das comunidades, devem oferecer à população teatro, dança, música, artes visuais, cinema e etc... Arte contra as drogas, contra a violência, contra o preconceito, a intolerância, o consumismo, a TV, a corrupção. Arte pela educação, saúde, segurança e cultura. Arte para se aprender a votar!

Neste dia 27 de março, dia do teatro, O Elefante que representa a geografia do nosso estado irá passar as 24hs do dia sem comida, em protesto! O ser humano precisa muito mais que um prato de comida. O Governo do RN ainda não apresentou nada de consistente para a fruição da arte no estado. Irá gastar o dinheiro do fundo de cultura em eventos pontuais, que não contribuem com o problema da arte do país. Eles querem fazer arte, mas, para fazer arte é necessário ser artista. E só nós podemos levar conhecimento artístico à sociedade. A política de editais foi abandonada pela FJA, a Orquestra Sinfônica está prestes a ser extinta, os teatros sem manutenção, e, apesar das reivindicações do segmento do teatro acerca da viabilização de editais de pesquisa, montagem, circulação e manutenção, o Governo do RN segue sem uma conversa, como se fossemos nada! Temos uma secretária de cultura mesmo sem existir uma secretaria. E tudo que se promete são uns showzinhos e eventos que não contribuem com a formação do cidadão e nem com a plenitude da arte como forma de convívio e evolução da condição humana.

Para a arte ser o que deve ser, pertencer ao homem e preencher nossas lacunas existenciais é necessário fomentar o artista. Assim, acreditando numa política cultural continua e com resultados a longo prazo, é que nós construiremos uma evolução de consciência nas comunidades. O artista precisa pesquisar, para o aperfeiçoamento de sua obra. O artista precisa de formação, para que seu conhecimento cresça. O artista precisa circular com sua obra em todas as comunidades do RN. O artista precisa manter sua sede e suas atividades. O artista precisa criar sua obra. Isso tudo custa muito caro, mas o Estado tem plenas condições de executar. O problema é falta de gestão, de vontade de fazer e acabar com as politicagens que denigrem a imagem do RN há anos. Assim como saúde, educação e segurança, a arte é um direito do cidadão. Uma deve contribuir com a outra, numa corrente. É obrigação do Estado criar vias de acesso à arte, continuas(diárias), e não pontuais. Chega de “pão e circo!” Para o ser humano o alimento vai além de arroz e feijão. É necessário ter arte em nosso prato!


"Há muito mais entre o céu e a terra, do que possa supor nossa vã filosofia!" W. Shakespeare

sexta-feira, 23 de março de 2012

Circulação do Espetáculo "Com Madre"

 Apresentação em Ceará Mirim em frente a Igreja Matriz
 O pós almoço na Estação de Cultura de Ceará Mirim
Debate com o Público após a apresentação em Pedências

sábado, 17 de março de 2012

Circulando com o espetáculo "Com Madre"



O espetáculo surge a partir do desejo. da investigação do gestual popular cotidiano e da memoria corporal. o gestual como máteria de criação e transformação da obra de arte. A partir dos projetos "Gestual nordestino" (oficinas oferecidas em nove sidades do interior) e "Verdade gestual" (montagem do espetaculo Com Madre) patrocinados pelo programa BNB e BNDS de cultura. Oespetáculo é inspirado no conto Comadre Morte de Adolfo Coelho e tratasse de uma viagem mítica e primitiva na relção do homem com a morte e onde encontra as circustãcias da própria vida. o espetáculo é dirigido por Giovanna Araújo, no elenco estão Rodrigo bico, Silvia Rodrigues, Anádria rassyne e eu que tambem assino, assistência de direção, ceário e iluminação. Este fim de semana estamos em Pendecias(RN) e Ceará Mirim(RN).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Criação, Uma Experiência Performática

Essa semana vou iniciar um momento especial para mim, dando inicio ao projeto de uma oficina que busca mesclar minhas vivências como artista. A partir do dia 25/01 na Casa da Ribeira, através do projeto Cena Aberta, estarei ministrando a oficina: Criação, uma experiência performática. Passei este mês afastado da internet e não foquei muito na divulgação do evento acreditando na competência do projeto Cena Aberta. Após colocar no Google o nome da oficina me deparei com um monte de jornais desinformados e nenhum deles nem a própria Casa da Ribeira consegue dizer corretamente o que vai acontecer. No tal do www.tonorn.com.br  minha foto sai numa divulgação de um evento fotográfico, absurdo! Decepcionado, estou publicando a divulgação do evento e pedindo a todos que repassem o recado para ajudar, pois é um projeto muito especial para mim, é apenas um bebê começando a engatinhar, e gostaria muito de compartilhar esse momento com outros artistas.

A oficina “Criação, uma experiência performática” voltada a atores, bailarinos, performers e encenadores, tem como objetivo trabalhar conceitos encontrados na Performance para a criação da cena. A investigação da atuação, da dramaturgia, do espectador e a relação do artista com a “matéria” (texto, ação, iluminação, objetos, figurinos e cenários) é o foco das experiências vivenciadas na oficina. A oficina usa de sons, luz, projeções, técnicas de preparação do corpo e do espaço, estado de criação, trabalho energético, criação de ações, criação de cenas, manipulação de objetos, contatos de improvisação. O trabalho é voltado para uma imersão em um lugar entrópico (caótico) do atuante e do seu espaço de criação.

Venha com roupas leves, neutras e “se jogue!”

As inscrições estão abertas apenas na casa da ribeira e os ingressos devem ser retirados antes da oficina. Atenção! Não adianta chegar no dia 25 às 18hs e tentar fazer, estão disponíveis 20 vagas e a prioridade é de quem estiver com o ingresso.
NÂO ACONTECE APENAS NO DIA 25/01.
A oficina tem carga horária de 16hs divididas em 4 encontros. Dia 25/01 na casa da ribeira e nos dias 31/01, 01 e 02 de fevereiro no TECESOL (sede do grupo Facetas)
Horários das 18hs ás 22hs, não será cobrada nenhuma taxa ao participante, apenas sua participação integral nas 16hs de oficina garantindo o certificado assinado pelo artista
Já agradecendo a compreensão e ajuda de todos. Enio Cavalcante.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

#oFECquePropomos

Carta de Convite ao diálogo para o #oFECquePropomos




a V. Srª. Governadora Rosalba Ciarlini

a V. Srª. Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado

aos Srs. Deputados Estaduais do Rio Grande do Norte

Na última semana os artistas e trabalhadores da Cultura do RN acordaram com a notícia de que encontrava-se na Assembleia Legislativa de nosso estado um projeto de Lei para um Fundo Estadual de Cultura. De início criou-se e pairou no ar uma sensação de que, enfim, teríamos (após anos de espera) dotação orçamentária própria para o financiamento de atividades culturais e com rubrica de 1% do ICMS arrecadado (de acordo com a promessa de campanha de nossa Governadora). Um certo “frisson” ocupou as casas de artistas e produtores, um desejo de ter esse projeto em mãos e de poder confirmar nossas expectativas.
No apagar das luzes das atividades legislativas o projeto de lei chega nas mãos de nossos deputados para ser votado em caráter de urgência, quase que num grito desesperado para salvar mais um ano de políticas públicas para a cultura do RN. Urgente é a situação de nossas políticas culturais e urgente também é o prazo para se aprovar esse Fundo. Mas como diz o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”, nesse caso não só pressa, mas também a ausência de diálogo.
Não acreditamos em um plano e um fundo elaborado dentro de gabinetes, sem nenhuma consulta pública, é humanamente impossível que esse projeto de lei venha agradar a determinada classe sem que a mesma seja consultada.
O “frisson” de outrora transformou-se em preocupação, exigiu-se de artistas a capacidade de estudar e entender os processos burocráticos de uma Assembleia Legislativa. Esmiuçamos ponto a ponto do FEC, afim de chegarmos a algum consenso e/ou entender a importância e magnitude deste Fundo para a Cultura do RN.
Não nos vestimos de cães raivosos, não nos vestimos de opositores e nem de radicais extremistas afim de derrubar o Projeto de Lei apresentado pela Governadora Rosalba Ciarlini. Entendemos bem e sem ilusões de que um FEC precisa ser aprovado, mas não do jeito que o encontramos, com grandes distorções orçamentárias, com equívocos nas linguagens artísticas, com um Comitê Gestor antidemocrático e não-paritário e com outros pequenos pontos polêmicos a serem revisados. Mas é nesse apagar de luzes que os artistas e trabalhadores da Cultura se reuniram afim de serem vaga-lumes nessa história presente e que está prestes a tornar-se passado, afim de jogar uma luz sobre esse FEC, lançar sobre ele o nosso olhar, numa tentativa desenfreada de reparar o erro do não-diálogo e abrir desde já essa conversa, e que, nesta etapa final, esse projeto de lei possa ter no mínimo a cara dos artistas de nosso estado. Deixando bem claro que esse não é o FEC que queremos, mas #oFECquePropomos. Onde estão as sugestões do Plano nacional de Cultura em diálogo com o nosso fundo? Pedimos que artistas, produtores e gestores desarmem-se de suas armaduras e suas bazucas para abrirmos esse canal de diálogo, para que ainda em tempo possamos mudar o quadro atual, para que tenhamos em 2012 uma relação saudável e bem sucedida. Reitero que não estamos aqui dispostos a apenas esbravejar conjecturas e argumentos falaciosos, mas sim, dispostos ao diálogo e a conversa, propondo soluções simples e que venham de acordo com o desejo comum de artistas, produtores, trabalhadores da cultura e Gestores de nosso estado.

Em anexo desta carta colocamos a disposição de tod@s #oFECquePropomos e terminamos com algumas reflexões:

1. Não somos nós, artistas e trabalhadores da Cultura, os principais produtores de Cultura do RN?

2. O que faz um órgão do estado do RN, criar um fundo onde mais de 65% de seu montante volta-se para os gastos do estado?

3. O que faz um órgão do estado tomar para si o papel de produtor e ficar com uma porcentagem bem maior do que a disponibilizada para a seleção por meio de editais públicos?

4. O que pode fazer esse órgão público para, a esta altura das negociações, tentar abrir um canal de diálogo e modificar o documento proposto?

5. Que garantia temos de que esse projeto de lei venha a ser modificado logo após a regulamentação e aprovação no Congresso Nacional do Plano Nacional de Cultura?

Que a partir deste documento nós possamos caminhar para um diálogo transparente, democrático e que satisfaça o anseio da maioria produtora de cultura do estado do Rio Grande do Norte.

Natal, 12 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Auto da maquiagem

Quinze dias de ensaio e agora um desgosto, uma experiência terrível para um artista, a frustração queima nossos egos, é um momento de se distanciar de si mesmo e do seu trabalho e se debruçar em questões mais primárias do que o fato em si.


Receber a notícia do fim do Auto de Natal 2011 foi um evento lastimável, que mostra um desrespeito à atividade artística e uma falta de ética e gestão por parte de seus realizadores, que nem sequer tiveram a humildade de dar a notícia. O presidente da FUNCARTE não mostrou respeito, quando não foi, ele mesmo, ao abandonado Sandoval Wanderley dar a noticia do fim do Auto e pedir, no mínimo, desculpas. As tentativas de justificar o injustificável são como folhas secas, que não resistem a menor brisa.

Durante todos esses anos o Auto recebeu inúmeras críticas feitas pelos próprios artistas, mas, muito pouco se avançou, a ideia de um espetáculo democrático com rotatividade de elenco, dramaturgia e direção nunca amadureceu. O Auto é refém do tempo, feito a “toque de caixa” e muitas vezes estreando sem que o palco e a iluminação estivessem cem por cento prontos, ainda assim, o Rio Grande do Norte e a cidade de Natal assumiram os Autos como a ponta do “fazer cultura”. Os autos se transformaram numa maquiagem para a cultura o que impede o seu crescimento artístico pedagógico. Os Autos escondem o que nós artistas passamos durante 12 meses por ano, escondem a dificuldade de se fazer arte, o desinteresse dos gestores, a falta de políticas públicas, e a falta de iniciativa da câmara de vereadores para criar e aprovar projetos em prol da cultura. Talvez a não realização, tanto do Auto do município, como o do Estado, revele à população o quanto estamos abandonados, artistas e espectadores. Durante séculos e séculos a arte foi refém do coronelismo onde se oferece apenas “pão e circo”. A população se acostumou a compreender arte apenas pela veia do entretenimento fútil que enfatiza o consumismo, o sexo e o uso de drogas, ou, como uma forma medieval de proclamar a palavra de Deus e as histórias bíblicas. A maneira de se compreender cultura dos gestores públicos é presa à necessidade de alienar o povo, e seus joginhos de poder oprimem a população que não tem acesso à arte e não sente a necessidade de ter acesso, pois sua condição de cidadão é se contentar com muito pouco ou quase nada. Assim como o “tapa-buraco” esconde a necessidade de um novo asfalto, a pintura do posto de saúde esconde a falta médicos, a farda dos alunos esconde os números vergonhosos da educação no Brasil, a prática de fazer shows e eventos pomposos esconde a falta de políticas culturais de fomento ao artista e seus fins, sendo essa a única maneira de fazer cultura, oferecer ao artista suporte para que ele leve arte as comunidades, escolas, e todas as esferas sociais. Nós não recebemos incentivos para manter sedes, montar espetáculos, investir em formação, oferecer oficinas, criar centros artísticos e circular em outros lugares. Fato é que durante muitos anos se mantiveram as maquiagens, eventos magníficos que chamam a atenção da impressa, que dentro da cidade mostra não compreender nossa língua se detendo sempre ao sensacionalismo dos fatos e pouco ao fomento a cultura como um todo, para “Autos” e “Baixos”. Hoje vemos que o estado e o município não coseguem nem mesmo manter a maquiagem, seu rímel esta seco, seu batom não tem cor e seu pó é uma poeira velha. “Quem não tem cão caça com gato”, “dente por dente, olho por olho”. É assim que vivemos.

Em nossa cultura não podemos ser pessimistas, o homem já chegou à lua, as ideias já evoluíram muito, revelo minhas esperanças em ver um dia gestores que sabem o que estão fazendo, não podemos votar em pessoas sem crédito para lidar com os problemas sociais. A atividade política requer estudo, dedicação, experiência e, seu candidato deve ter, ao seu lado, bons profissionais, bons técnicos, para se tornarem secretários e funcionários éticos e competentes. Se seu candidato não preenche esses requisitos não vote. De certa forma Micarla de Souza é um espelho de nossos eleitores e a FUNCARTE é um espelho de nossos artistas. O município precisa fazer um mapeamento artístico, descobrir as nossas necessidades para daí criar junto aos vereadores uma lei de fomento que fortaleça nosso fazer, se precisamos de dez milhões é em cima disso que se deve correr atrás. Se a cultura está ligada à saúde, educação e turismo então, outras secretarias devem também investir e, assim correr para um horizonte em que a população vai descobrir finalmente o prazer de ver e fazer arte, arte pela arte, pelo homem, não pelo sexo, a bebedeira ou a religião. Uma vez que a cultura estiver junto a saúde, educação e o desenvolvimento social, se tornará um direito do cidadão e uma obrigação do município.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Oficina com Maurice Durozier (Teatre Du Soleil)


A convite dos Clowns de Shakespeare tive a oportunidade de fazer a oficina com Maurice Durozier ator do Teatre do Soleil (França). A oficina faz parte do projeto “Hamlet” dos Clowns e eles abrem mais uma vez seu espaço para alguns convidados da cidade, afirmando sua estética de teatro de grupo apostando na formação e criação pautada na troca e no intercambio entre artistas, onde suas experiências se tornam inspirações, sonhos e matérias.


A magia dos tecidos

Na oficina tivemos a oportunidade de vivenciar como se deu o processo de criação do Teatre Du Soleil na construção de Shakespeare com as obras Ricardo II e Henrique IV, espetáculo em que o Solei busca a estética dentro da cultura oriental mais precisamente no universo do Samurai e do teatro oriental. De inicio Maurice trabalhou a construção dessa figura (ator e samurai), o chapéu e o quimono criados a partir de tecidos e retalhos, tínhamos pouquíssimas roupas orientais, mas os tecidos e figurinos de outros espetáculos dos Clowns “caíram como uma luva” nas mãos de Maurice e o resultado foram fantásticas roupas orientais cheias de cores e formas. Esses figurinos foram o carro chefe da oficina, neles sentíamos a atmosfera e os estados do trabalho, serviam como um portal mágico para o lúdico onde nos tornamos crianças brincando de fazer e ser.


Espaço sagrado

Maurice trabalhou com total cuidado o espaço de criação, iluminação com ribaltas, contras e frentes, o linóleo com cinco caminhos, um pano de fundo vermelho, a coxia, o espaço dos guardas pretos (atores que faziam a contra-regragem) e um espaço para a música, cheio de instrumentos. Esse lugar se tornou totalmente criativo, me fazia sentir o público e parecia que antecipava meses e meses de montagem. Tornava o espaço sagrado.


Devorar o outro

A oficina foi um mergulho em matérias e tudo se tornava pré-texto, em meu diário nada além de tudo, todos os elementos em um único passo em uma única entrada, “estado”, prepare-se e manipule seu estado, respire a cena, sinta e mais que tudo devore o outro, se dê ao seu parceiro é no outro que encontro o meu caminho, é na imitação da vida que encontro minha matéria, nesse teatro ser objetivo é essencial, é um jogo “Rugby” eu preparo para o outro, protejo o outro, passo confiança e consigo a verdade do teatro que é uma mentira absoluta.


O que é que queres saber criatura?

Para encerrar Maurice fez uma conferência (aberta ao público) narrando sua vida de ator peregrino. Sua conferência me lembrou um livro que aconselho aqueles que querem aprender e ensinar “As Seis Lições de Boleslaviski” em que uma atriz iniciante encontra um mestre que lhe ensina de forma sublime seis lições básicas para a arte de ator. Na conferência realizada por Maurice, sua filha (interpretada por uma atriz), faz perguntas sobre seu oficio de ator e nós conhecemos um pouco da vida de Maurice Durozier e descobrimos um homem apaixonado, um peregrino de auroras e alvoradas, de sua cidade, de sua avó que era uma atriz errante, de uma viagem fantástica a Índia, das suas idas e vindas no Soleil, do artista de Happenings, da violência, da loucura e de todas as aflições, das máscaras e dos medos da carreira de um ator. Não seria bom descrever aqui suas experiências, tudo que peço é que se você tiver oportunidade de assistir a conferência de Maurice, corra não perca tempo, pois lá, de forma extrovertida e ritualística o tempo para.
Shakespeare. Ser mitológico do nosso teatro ocidental. Nunca tive oportunidade de vivê-lo (sempre fugi, talvez por medo), apenas em duas experiências em oficinas com o Clowns, uma com Ricardo III e agora o rei Ricardo II e Henrique IV. É no estudo que entendemos sua grandiosidade. E como a poesia e a critica se sobrepõe ao próprio texto. É muito louco, é lindo e não é para todos, acredito fielmente que o Grupo Clowns de Shakespeare escolheu seu caminho e vem seguindo com total clareza e maturidade, acredito demais em suas escolhas, as escolhas são difíceis espero que essa escolha seja trilhada cheia de obstáculos nada fáceis de serem ultrapassados, pois se fácil fosse, sentido algum teria. Muito obrigado aos Clowns e Fernando. Recordo em exercício de memória que enquanto estava em cena com os amigos Maurice disse que apenas poetas podem fazer Shakespeare, acho que alma de poeta é o que o grupo tem no nome, na força que os mantém juntos e na força que agrega novos componentes e esse mergulho em sua identidade é sem volta. Valeu mais uma vez “Poetas de Shakespeare”.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Abaixo esses criminosos (chegou no meu email e está postado!)



Ontem, os deputados federais mostraram a cara e não votaram o projeto de lei FICHA LIMPA.. Para quem não sabe, ontem, foi rejeitada a votação, na Ordem do Dia da Câmara Federal, o Projeto de Lei FICHA LIMPA, que impede a candidatura a qualquer cargo eletivo, de pessoas condenadas em primeira ou única instância ou por meio de denúncia recebida em tribunal ? no caso de políticos com foro privilegiado ? em virtude de crimes graves, como: racismo, homicídio, estupro,homofobia, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas...



A IMPRENSA FOI CENSURADA E ESTÁ IMPEDIDA DE DIVULGAR ! PORTANTO, VAMOS USAR A INTERNET,PARA DAR CONHECIMENTO AOS OUTROS 198.000.000 DE BRASILEIROS QUE OS DEPUTADOS FEDERAIS TRAÍRAM 



ISTO É UMA VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

3° Encontro de Dança do RN

“Entre a Dança e a Espada”


No inicio destes ventos de agosto tive a oportunidade de participar (assistindo e fazendo oficinas) de mais uma edição do Encontro de Dança do RN produzido por Diana Fontes, que mais uma vez mostra sua garra e vontade de fazer algo pelo nosso estado já tão sucateado pelo poder público. Participando do encontro vemos sua importância, e chamo a atenção para um diagnóstico: temos poucas estréias, a maioria dos espetáculos tem mais de dois anos. São espetáculos, com certeza, maravilhosos e que merecem participar do encontro, deste e de outros, mas, isso significa que, assim como o teatro, a dança também tem dificuldades de montagem derivadas da falta de políticas públicas para esse que é o pilar principal do artista. Se o artista não constrói, não consegue ser, e muitas vezes para construir necessita de abrir mão de elenco, iluminação, cenários, figurinos, e outros profissionais, ou seja, sua obra fica a mercê de verba. Como a montagem de um espetáculo não é algo que as pessoas vêem, não é um evento para o grande público e não gera publicidade a Funcarte e a Fundação José Augusto não estão “nem aí” para a criação de um edital de montagem. Estão, com certeza, preocupados com os votos que eventos como “Agosto da Alegria” e o show do ”Diante do Trono”, podem gerar. Não bastando apenas aos Natalenses uma indignação pela gestão da prefeitura de Natal, o bailarino Tuto, do Balé da Cidade de São Paulo, falou no palco, durante a apresentação do espetáculo “Divinéia”, uma boa piada com o desfecho: “você chegou aqui porque caiu num buraco de Micarla?” Nossa resposta está no palco, seja no teatro, na dança ou na música o artista no RN é um “danado”! E com certeza é no palco que mostramos a que viemos a esses que se dizem políticos e que estão no poder.



3º Encontro de Dança do RN, oficina com Lavinia Bizzotto “A arte da Dança”

...é incrível como o contato é complexo e lhe coloca em jogo com técnicas, sensações e estímulos dramatúrgicos. Dependendo de como você se envolve na preparação, o “contato e improvisação” pode ser a melhor forma de criar, desde que você seja sujeito tendo domínio do espaço como um todo, entrando em contato com o mundo.

A experiência vivida na oficina de Lavínia foi extremamente compensadora, no sentido do equilíbrio que o verbo compensar possa ter, pois, se na vida do homem sua busca deve ser por equilíbrio, com o “homem artista” a zona de busca por equilíbrio percorre dois caminhos paralelos e que se bifurcam de vez em vez que o corpo rompe a barreira racional e se permite a vontade de ser corpo, mais nada. Um desses caminhos é a técnica, que se revela na purificação do corpo, um caminho árduo, de entrega e generosidade. Praticar tecnicamente já é, por si só, uma “puxada de tapete”, pois, é vendo minha filha de um ano e dois meses dando seus passinhos, indo e vindo, que percebo que a técnica é algo de uma essência primitiva que se coloca através da criação, imitação, repetição e da memória. O artista que se permite à técnica vive em guerra. Deve comer bem no jantar, pois no outro dia almoçará no inferno, mas, em compensação chegará à glória. O outro caminho, o da emoção, é o do sensitivo, da intuição, da associação, da criação. Esse caminho deve ser explorado com um único estímulo, aquele que quem é de teatro deve ouvir bastante: “se jogue”! Porém, responsabilidade é indispensável, e quando fazemos isso com responsabilidade, nosso material tem muito mais consistência, riqueza, beleza e poesia. Essa responsabilidade vem através da busca técnica, quando chegamos ao processo criativo e descobrimos algo valioso é porque encontramos o ponto de bifurcação desses caminhos. A oficina de Lavínia me permitiu compreender ainda mais o processo criativo, seu trabalho com dança e teatro é bastante paralelo e bifurcado, hora estamos em um e hora em outro, e eles se encontram o tempo todo, em mim ficou uma leve sensação de equilíbrio entre consciente e inconsciente, como se a mim fosse permitido ser “louco”. E, se Lavínia descobriu, ou está descobrindo, em sua trajetória de bailarina/atriz uma harmonia entre dança e teatro, saio dali com muito mais vontade de fazer um teatro que dança.

3º Encontro de Dança do RN, Oficina de Clébio Oliveira, Corpo Provisório

Existem muitas maneiras de se conduzir um trabalho, na verdade a experiência de passar conhecimento é uma arte, só essa dedicação de preparar o outro já é uma obra. Mas como diz a performer potiguar Cris silva, em seu manifesto da fome, “desconfie daqueles que ensinam arte e não são artistas”. Na oficina de Clébio percebi uma maneira de estar presente e comprometido com o trabalho de ensinar, mas de uma forma desprendida, como se ali fosse um artista e depois um professor. Quando um artista dá uma oficina ele troca conhecimento, quando professor dá ele ensina o conhecimento. Talvez a troca seja algo de ordem da emoção e da sensação. Cada vez mais descubro, tanto nos novos pesquisadores como nos antigos como Stanislavski, que criar é pensar com o coração, não com o cérebro, a mente é o corpo todo. O corpo de Clébio dança o tempo todo e sua voz nos permite rir, o compasso de seu trabalho é marcado por um tambor, que depois de uma jornada no Brasil, reside nos territórios da Alemanha, onde o teatro épico, a dança teatro e a arte pulsam diferentes. A oficina entrou num compasso energético e colocou o elenco em contato com técnicas simples, e por serem simples são especiais, pois a “ação mais forte requer o mínimo de cuidado” e Clébio reforça “cuidado com a cervical”. Técnicas de balé clássico e dança contemporânea, que se encontram com improvisações de animais, estímulos de movimento, visão periférica, contato e jogo. Para mim em especial desse trabalho ficará a reflexão de como conduzir uma oficina, ainda mais quando se tem pouco tempo. Devemos colocar junto da nossa metodologia, entre as fichas de aula, o coração.

A era do sujeito

Depois de um século XX cheio de vanguardas artísticas devemos nos perguntar o que será desse novo século. Percebo cada vez mais que aquele que antes era visto apenas como interprete ou elenco, está aparecendo cada vez mais como um sujeito da criação. O bailarino, o ator e o performer estão seguindo uma evolução inevitável da arte e se tornando atuantes, sujeitos da ação, criadores do processo. Devemos nos perguntar se depois do Manifesto Futurista, Dadaísmo, Surrealismo, Bertold Brech, Antonin Artaud, Pina bausch, Grotowisk e outros contemporâneos, se a arte ainda vai se estabelecer em guetos de linguagem e estética ou vai se difundir em “arte do corpo” . O artista está cada vez mais consciente de ser artista, e do que isso significa na sociedade. Claro que isso acontece mais com uns do que com outros, o que é normal. Um exemplo disso aconteceu no “Circuito Bodearte de Performance”, na sede do Facetas, poucos bailarinos e atores apareceram. Assim como no Festival de Teatro, poucos bailarinos e performes aparecem. Com o Encontro de Dança não foi diferente. É quase uma celebração apenas de quem faz dança, o que não é objetivo de seus idealizadores, que querem difundir a “dança do elefante (RN)”. Mas, é quando apreciamos a mostra desses guetos que vemos o quanto que a coisa já está inconscientemente difundida, vemos a necessidade de formação e discussão. Dentro do processo, mesmo de criação do espetáculo, percebemos a presença de bailarinos, atores e performes, assim como diretores e coreógrafos trabalhando juntos. É lógico que desse caldo vai sair algo bastante temperado e o poder público tem a obrigação de fomentar o artista dentro de sua cidade, principalmente nas comunidades e escolas. É incrível perceber que o ser humano está em evolução e que nunca teremos o controle disso por ser um curso natural.

Dentro do encontro de dança foi perceptivo, tanto nas oficinas como nos espetáculos, que a coluna vertebral da dança está apontada para o teatro. Foi muito bom ver que o bailarino natalense está buscando, presença e visceralidade, não só através da técnica, mas da dramaturgia e do jogo. Agora é necessário correr atrás disso e ir além. A barreira entre dança e teatro é sutil e já acontece naturalmente. É recorrente percebermos uma dramatização da cena e do movimento, e a tentativa de interpretar um personagem, mas, esse caminho é superficial, medíocre, e não tem teatralidade. Então a dança contemporânea, que é algo subjetivo e significativo, se torna uma “novelinha” e, convenhamos isso não é nada interessante. O que pode ser a tentava de interpretar superficialmente, pode levar abaixo toda a pesquisa desenvolvida. Essa busca de trazer o teatro para o palco da dança deve acontecer na formação e apreciação. Quanto mais os bailarinos e coreógrafos treinarem, buscarem oficinas, e assistirem espetáculos, mais a transformação vai acontecer de forma natural. Se vou falar um texto ou fazer uma ação, preciso buscar formação, senão ficarei perdido e as frases que saem da minha boca não querem dizer nada. O mesmo vale para os grupos de teatro que se aventuram na dança, treinem! É comum nas oficinas as pessoas virem um dia faltarem dois, ou as oficinas abrem vagas e não são preenchidas. Esse comportamento é provinciano e comum entre os artistas da cidade. Para nos tornamos sujeitos devemos estar muito além do conforto, devemos experimentar o ódio e o amor na mesma medida, devemos sempre “beber sangue”.







quinta-feira, 4 de agosto de 2011

GAMBIARRA 6 de agosto

No sábado 6 de agosto teremos mais uma edição do Gambiarra: Espaço de Experimentações Artísticas, neste ano a novidade é que sempre teremos apresentações do Facetas, na ocasião apresentaremos um extrato de cena entitulado "Moça de Família" que é fruto da encenação "Sete" apresentada pelo grupo na Mostra de Arte Carlão Lima em 2010, no TECESol e na Casa da Ribeira.






Gira-dança

As outras apresentações ficam por conta da Cia Gira-dança que são parceiros antigos do Facetas e também realizam atividades enquanto Ponto de Cultura na cidade do Natal e o músico e ator e também grande parceiro, Caio Padilha.



Aproximem-se, experimentem e vivam conosco mais uma Gambiarra.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Você tem fome de quê?

"Trabalhadores de Cultura é Hora de Perder a Paciência!" Nesses tempos em que a inteligência do nosso povo some a cada dia, por um sistema corrupto que investe em ignorância para se manter no poder, nesses tempos em que as políticas públicas para a cultura em Natal e no Rio Grande do Norte vão de zero a pior, nesses tempos primitivos, Neandertais, fiquei feliz de receber esse email da cumadre Monique Oliveira e ver que o artista brasileiro é subversivo na maneira como se faz e se pensa arte! arte contra o sistema! arte contra a tv, arte contra o consumismo, arte contracultura! 

O Grupo Pau e Lata chegou ontem a capital paulista e juntou-se ao movimento de ocupação na Funarte, participando da progração paralela.




Artistas de São Paulo invadem a Funarte (25/07/2011)
Artistas de vários seguimentos se reuniram no centro de São Paulo, precisamente em frente a FUNARTE, por volta das 13h, desta segunda-feira, 25 e deram inicio a uma grande manifestação de reivindicação por políticas públicas pelo Ministério da Cultura.
Manifestação de várias categorias
Com o grito “Trabalhadores da Cultura é hora de perder a paciência” a militância luta por 2% dos repasses da verba da união pra cultura, publicação de editais pras artes públicas de rua e o pagamentos dos prêmios em atraso.
Artistas decidem manter ocupação da Funarte e organizam programação paralela (27/07/11)
Os militantes ligados a coletivos artísticos que ocuparam a sede da Funarte (Fundação Nacional de Arte), órgão do Ministério da Cultura (MinC), no centro de São Paulo, na tarde de ontem (25) decidiram continuar no local pelo menos até amanhã. Uma nova plenária será realizada nesta quarta-feira (26) de manhã para decidir os rumos da ocupação.
Os trabalhadores protestam contra a política cultural do governo federal, exigem a votação das PECs (Proposta de Emenda à Constituição) 236 e 150 que tramitam no Congresso e defendem o descontingenciamento do orçamento da pasta. Segundo Luciano Carvalho, integrante do coletivo teatral Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, que atua na periferia da zona leste de São Paulo, há cerca de 300 pessoas na ocupação, mas o número deve aumentar durante a noite.
As apresentações que estavam previstas foram suspensas, e os manifestantes organizaram uma programação paralela no espaço. Os coletivos de arte que participam da ocupação estão fazendo seus ensaios, oficinas e apresentações no local. Entre as propostas que estão sendo debatidas entre os trabalhadores está a de ocupar a Funarte permanentemente.
Reivindicações
A PEC 236 prevê a inclusão da cultura como direito social, assim como a educação, a saúde, a moradia, o trabalho, entre outros. Já a PEC 150 determina que 2% do orçamento da União seja destinado à Cultura, conforme orientação da ONU (Organização das Nações Unidas) no documento “Agenda 21 da Cultura”.
O orçamento do MinC previsto para 2011 era de R$ 2,2 bilhões (0,2% do total), mas com os cortes do governo federal caiu para R$ 800 milhões (0,06%). “Os cortes congelaram uma série de editais lançados no início do ano e paralisou o trabalho do ministério. É como se o salário dos que trabalham com arte tivesse sido cortado”, disse Carvalho.





Lei Rouanet

A categoria critica a Lei Rouanet, que prevê isenções fiscais a empresas que investirem em cultura --mecanismo semelhante ao utilizado pela Prefeitura de São Paulo para deixar de recolher R$ 420 milhões em impostos do Corinthians na construção do Itaquerão para a Copa do Mundo. Segundo a categoria, a lei privatiza o financiamento da cultura, ao permitir que as empresas, e não o Estado, decida o destino do dinheiro público da isenção fiscal.

"É esse discurso que confunde política para agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação pública com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda doado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal --em leis como a Lei Rouanet-- os governos transferiram a administração de dinheiro público destinado à produção cultural para as mãos das empresas", afirma categoria em manifesto que circulou na web.

Como contrapartida à Lei Rouanet, os trabalhadores da arte defendem a aprovação, no Congresso, do Prêmio de Teatro Brasileiro, uma lei que prevê a criação de editais para financiamento público de projetos artísticos, nos moldes da lei municipal de Fomento ao Teatro, aprovada em 2002 na capital paulista. “São editais com regras claras, transparentes, com seleção e distribuição dos recursos públicos de forma democrática”, diz Luciano Carvalho.

O ato começou na avenida São João, que fica embaixo do elevado Costa e Silva, em frente a um casarão abandonado conhecido como "Castelinho". De lá, os manifestantes seguiram até a Funarte, que fica na alameda Nothmann. Segundo os grupos que integram a mobilização, o protesto foi organizado após uma série de plenárias. A convocação foi feita via redes sociais da web, como o Twitter, onde os apoiadores propagandearam o evento com a hashtag #CulturaJa.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o MinC afirmou que está aberto ao diálogo com a categoria e disse que está esperando que os manifestantes enviem à pasta a lista de reivindicações para se posicionar. De acordo com Luciano Carvalho, as reivindicações da categoria estão no manifesto divulgado na internet.