quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em Processo..............

Desde fevereiro estou trabalhando, a convite de Rogério Ferraz (Estação Teatro) e da CIA Elas (Natal RN), na montagem do espetáculo "A Lição" de Eugene Ionesco. O texto é uma tapa na cara das relações de poder, e tem uma critica especial a educação algo que me deixa bem instigado, e não seria nossa educação atual um absurdo. O teatro do Absurdo Linguagem tentáculo do surrealismo é o lugar onde o texto e o autor se encontram. um teatro de pulsação e quebra, onde as relações entre personagem e público são conflituosas e gritantes, onde não se segue um "mote", mas, sim a vicinalidade da vida. Para a montagem um desafio de falar dos dilemas existenciais, através da ação-reação e do choque uma corda bamba onde não existe identificação, apenas um humor de um segundo, de um “goto” na garganta.

terça-feira, 27 de março de 2012

Amanhã a Performance acontece dia e noite na praça do TAM, Teatro Alberto Maranhão



O Elefante Não Quer Só Comida (Performance - Enio Cavalcante) Na ultima terça feira dia 20/03 estava indo para o ensaio, dia de trabalho normal eram 13:30 quando encontro em um bar bem próximo da sede do grupo de teatro Facetas... Um amigo! De Infância! Sim seu olhar exclamou: Amigo! Ele estava sozinho e sem dinheiro, na sua mesa não tinha copo, mas, seu estado estava deplorável, se esforçando para falar e ficar de pé. Perguntou se eu poderia pagar uma cerveja e um cigarro em outro bar e se podia conversar um pouco, decidi atrasar um pouco meu ensaio, e pediu para que o acompanhasse. Pediu que dirigisse o carro dele então fomos. Ele então começou a narrar sua trajetória do dia anterior. Estava a mais de 24hs sem dormir, já tinha cheirado mais de 10 gramas de cocaína e já tinha rodado a cidade toda de bar em bar... mas, nosso papo ficou pesado quando ele me pediu para fazer teatro! Disse que não agüentava mais seus amigos só o procuravam para “cheirar”. Quando chegava do trabalho entrava num ócio insuportável e só tinha vontade de beber, e ele dizia: “Me chame para assistir uma peça sua, eu quero amizade de verdade, quero mudar!” e etc... Seus olhos lacrimejavam e os meus também... ele podia ter pedido segurança, educação, saúde, mas, não! Ele pediu Arte! Prometi ajudar, mas, não tinha muito tempo. Prometi que ia procurá-lo, ele me deixou no ensaio e seguiu dirigindo bêbado, prometeu ir pra casa dormir... À noite, por volta de 20hs, ele me ligou e disse: “Cara, finalmente cheguei em casa... vou dormir!”

Essa é uma realidade comum nos dias atuais, as pessoas estão vazias, sós. Nenhum cd da música do momento, nem umas cervejas e umas carreiras de “pó” podem livrar o ser humano do seu vazio. Existem coisas que esse consumismo exacerbado do ser humano atual não preenche e é cada vez mais comum doenças, violência, guerras, desrespeito, falta de ética, corrupção. O Governo tenta dizer que está melhorando, que o brasileiro pode comprar mais, mas, será que é de compras que o nosso povo precisa? Tudo que meu amigo pediu foi para ver teatro, e talvez, assim se preencher de algo. Pois ele me respondeu que o ser humano precisa de arte, ou então será incompleto, vazio. Seja fazendo, apreciando ou discutindo, nosso vazio só será preenchido com arte. Ela nos levará ao ser sensível, consciente, que faz escolhas e não deixa que façam por ele, um ser que participa da evolução da condição humana. A arte me transformou, se não, muito provavelmente, estaria no mesmo vazio junto ao meu amigo. É necessária uma grande tomada da arte, que não pode ser dissociada da saúde, educação e segurança. A melhoria desses segmentos só é possível com um ser humano consciente, disposto a evoluir, e um Estado que fomente essa prática. A arte deve fazer parte da vida das pessoas integralmente, na família, na escola, no trabalho, nas ruas, praças, nas zonas: rural, litoral e urbana. Todos os espaços ociosos, ou não, das comunidades, devem oferecer à população teatro, dança, música, artes visuais, cinema e etc... Arte contra as drogas, contra a violência, contra o preconceito, a intolerância, o consumismo, a TV, a corrupção. Arte pela educação, saúde, segurança e cultura. Arte para se aprender a votar!

Neste dia 27 de março, dia do teatro, O Elefante que representa a geografia do nosso estado irá passar as 24hs do dia sem comida, em protesto! O ser humano precisa muito mais que um prato de comida. O Governo do RN ainda não apresentou nada de consistente para a fruição da arte no estado. Irá gastar o dinheiro do fundo de cultura em eventos pontuais, que não contribuem com o problema da arte do país. Eles querem fazer arte, mas, para fazer arte é necessário ser artista. E só nós podemos levar conhecimento artístico à sociedade. A política de editais foi abandonada pela FJA, a Orquestra Sinfônica está prestes a ser extinta, os teatros sem manutenção, e, apesar das reivindicações do segmento do teatro acerca da viabilização de editais de pesquisa, montagem, circulação e manutenção, o Governo do RN segue sem uma conversa, como se fossemos nada! Temos uma secretária de cultura mesmo sem existir uma secretaria. E tudo que se promete são uns showzinhos e eventos que não contribuem com a formação do cidadão e nem com a plenitude da arte como forma de convívio e evolução da condição humana.

Para a arte ser o que deve ser, pertencer ao homem e preencher nossas lacunas existenciais é necessário fomentar o artista. Assim, acreditando numa política cultural continua e com resultados a longo prazo, é que nós construiremos uma evolução de consciência nas comunidades. O artista precisa pesquisar, para o aperfeiçoamento de sua obra. O artista precisa de formação, para que seu conhecimento cresça. O artista precisa circular com sua obra em todas as comunidades do RN. O artista precisa manter sua sede e suas atividades. O artista precisa criar sua obra. Isso tudo custa muito caro, mas o Estado tem plenas condições de executar. O problema é falta de gestão, de vontade de fazer e acabar com as politicagens que denigrem a imagem do RN há anos. Assim como saúde, educação e segurança, a arte é um direito do cidadão. Uma deve contribuir com a outra, numa corrente. É obrigação do Estado criar vias de acesso à arte, continuas(diárias), e não pontuais. Chega de “pão e circo!” Para o ser humano o alimento vai além de arroz e feijão. É necessário ter arte em nosso prato!


"Há muito mais entre o céu e a terra, do que possa supor nossa vã filosofia!" W. Shakespeare

sexta-feira, 23 de março de 2012

Circulação do Espetáculo "Com Madre"

 Apresentação em Ceará Mirim em frente a Igreja Matriz
 O pós almoço na Estação de Cultura de Ceará Mirim
Debate com o Público após a apresentação em Pedências

sábado, 17 de março de 2012

Circulando com o espetáculo "Com Madre"



O espetáculo surge a partir do desejo. da investigação do gestual popular cotidiano e da memoria corporal. o gestual como máteria de criação e transformação da obra de arte. A partir dos projetos "Gestual nordestino" (oficinas oferecidas em nove sidades do interior) e "Verdade gestual" (montagem do espetaculo Com Madre) patrocinados pelo programa BNB e BNDS de cultura. Oespetáculo é inspirado no conto Comadre Morte de Adolfo Coelho e tratasse de uma viagem mítica e primitiva na relção do homem com a morte e onde encontra as circustãcias da própria vida. o espetáculo é dirigido por Giovanna Araújo, no elenco estão Rodrigo bico, Silvia Rodrigues, Anádria rassyne e eu que tambem assino, assistência de direção, ceário e iluminação. Este fim de semana estamos em Pendecias(RN) e Ceará Mirim(RN).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Criação, Uma Experiência Performática

Essa semana vou iniciar um momento especial para mim, dando inicio ao projeto de uma oficina que busca mesclar minhas vivências como artista. A partir do dia 25/01 na Casa da Ribeira, através do projeto Cena Aberta, estarei ministrando a oficina: Criação, uma experiência performática. Passei este mês afastado da internet e não foquei muito na divulgação do evento acreditando na competência do projeto Cena Aberta. Após colocar no Google o nome da oficina me deparei com um monte de jornais desinformados e nenhum deles nem a própria Casa da Ribeira consegue dizer corretamente o que vai acontecer. No tal do www.tonorn.com.br  minha foto sai numa divulgação de um evento fotográfico, absurdo! Decepcionado, estou publicando a divulgação do evento e pedindo a todos que repassem o recado para ajudar, pois é um projeto muito especial para mim, é apenas um bebê começando a engatinhar, e gostaria muito de compartilhar esse momento com outros artistas.

A oficina “Criação, uma experiência performática” voltada a atores, bailarinos, performers e encenadores, tem como objetivo trabalhar conceitos encontrados na Performance para a criação da cena. A investigação da atuação, da dramaturgia, do espectador e a relação do artista com a “matéria” (texto, ação, iluminação, objetos, figurinos e cenários) é o foco das experiências vivenciadas na oficina. A oficina usa de sons, luz, projeções, técnicas de preparação do corpo e do espaço, estado de criação, trabalho energético, criação de ações, criação de cenas, manipulação de objetos, contatos de improvisação. O trabalho é voltado para uma imersão em um lugar entrópico (caótico) do atuante e do seu espaço de criação.

Venha com roupas leves, neutras e “se jogue!”

As inscrições estão abertas apenas na casa da ribeira e os ingressos devem ser retirados antes da oficina. Atenção! Não adianta chegar no dia 25 às 18hs e tentar fazer, estão disponíveis 20 vagas e a prioridade é de quem estiver com o ingresso.
NÂO ACONTECE APENAS NO DIA 25/01.
A oficina tem carga horária de 16hs divididas em 4 encontros. Dia 25/01 na casa da ribeira e nos dias 31/01, 01 e 02 de fevereiro no TECESOL (sede do grupo Facetas)
Horários das 18hs ás 22hs, não será cobrada nenhuma taxa ao participante, apenas sua participação integral nas 16hs de oficina garantindo o certificado assinado pelo artista
Já agradecendo a compreensão e ajuda de todos. Enio Cavalcante.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

#oFECquePropomos

Carta de Convite ao diálogo para o #oFECquePropomos




a V. Srª. Governadora Rosalba Ciarlini

a V. Srª. Secretária Extraordinária de Cultura Isaura Rosado

aos Srs. Deputados Estaduais do Rio Grande do Norte

Na última semana os artistas e trabalhadores da Cultura do RN acordaram com a notícia de que encontrava-se na Assembleia Legislativa de nosso estado um projeto de Lei para um Fundo Estadual de Cultura. De início criou-se e pairou no ar uma sensação de que, enfim, teríamos (após anos de espera) dotação orçamentária própria para o financiamento de atividades culturais e com rubrica de 1% do ICMS arrecadado (de acordo com a promessa de campanha de nossa Governadora). Um certo “frisson” ocupou as casas de artistas e produtores, um desejo de ter esse projeto em mãos e de poder confirmar nossas expectativas.
No apagar das luzes das atividades legislativas o projeto de lei chega nas mãos de nossos deputados para ser votado em caráter de urgência, quase que num grito desesperado para salvar mais um ano de políticas públicas para a cultura do RN. Urgente é a situação de nossas políticas culturais e urgente também é o prazo para se aprovar esse Fundo. Mas como diz o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”, nesse caso não só pressa, mas também a ausência de diálogo.
Não acreditamos em um plano e um fundo elaborado dentro de gabinetes, sem nenhuma consulta pública, é humanamente impossível que esse projeto de lei venha agradar a determinada classe sem que a mesma seja consultada.
O “frisson” de outrora transformou-se em preocupação, exigiu-se de artistas a capacidade de estudar e entender os processos burocráticos de uma Assembleia Legislativa. Esmiuçamos ponto a ponto do FEC, afim de chegarmos a algum consenso e/ou entender a importância e magnitude deste Fundo para a Cultura do RN.
Não nos vestimos de cães raivosos, não nos vestimos de opositores e nem de radicais extremistas afim de derrubar o Projeto de Lei apresentado pela Governadora Rosalba Ciarlini. Entendemos bem e sem ilusões de que um FEC precisa ser aprovado, mas não do jeito que o encontramos, com grandes distorções orçamentárias, com equívocos nas linguagens artísticas, com um Comitê Gestor antidemocrático e não-paritário e com outros pequenos pontos polêmicos a serem revisados. Mas é nesse apagar de luzes que os artistas e trabalhadores da Cultura se reuniram afim de serem vaga-lumes nessa história presente e que está prestes a tornar-se passado, afim de jogar uma luz sobre esse FEC, lançar sobre ele o nosso olhar, numa tentativa desenfreada de reparar o erro do não-diálogo e abrir desde já essa conversa, e que, nesta etapa final, esse projeto de lei possa ter no mínimo a cara dos artistas de nosso estado. Deixando bem claro que esse não é o FEC que queremos, mas #oFECquePropomos. Onde estão as sugestões do Plano nacional de Cultura em diálogo com o nosso fundo? Pedimos que artistas, produtores e gestores desarmem-se de suas armaduras e suas bazucas para abrirmos esse canal de diálogo, para que ainda em tempo possamos mudar o quadro atual, para que tenhamos em 2012 uma relação saudável e bem sucedida. Reitero que não estamos aqui dispostos a apenas esbravejar conjecturas e argumentos falaciosos, mas sim, dispostos ao diálogo e a conversa, propondo soluções simples e que venham de acordo com o desejo comum de artistas, produtores, trabalhadores da cultura e Gestores de nosso estado.

Em anexo desta carta colocamos a disposição de tod@s #oFECquePropomos e terminamos com algumas reflexões:

1. Não somos nós, artistas e trabalhadores da Cultura, os principais produtores de Cultura do RN?

2. O que faz um órgão do estado do RN, criar um fundo onde mais de 65% de seu montante volta-se para os gastos do estado?

3. O que faz um órgão do estado tomar para si o papel de produtor e ficar com uma porcentagem bem maior do que a disponibilizada para a seleção por meio de editais públicos?

4. O que pode fazer esse órgão público para, a esta altura das negociações, tentar abrir um canal de diálogo e modificar o documento proposto?

5. Que garantia temos de que esse projeto de lei venha a ser modificado logo após a regulamentação e aprovação no Congresso Nacional do Plano Nacional de Cultura?

Que a partir deste documento nós possamos caminhar para um diálogo transparente, democrático e que satisfaça o anseio da maioria produtora de cultura do estado do Rio Grande do Norte.

Natal, 12 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Auto da maquiagem

Quinze dias de ensaio e agora um desgosto, uma experiência terrível para um artista, a frustração queima nossos egos, é um momento de se distanciar de si mesmo e do seu trabalho e se debruçar em questões mais primárias do que o fato em si.


Receber a notícia do fim do Auto de Natal 2011 foi um evento lastimável, que mostra um desrespeito à atividade artística e uma falta de ética e gestão por parte de seus realizadores, que nem sequer tiveram a humildade de dar a notícia. O presidente da FUNCARTE não mostrou respeito, quando não foi, ele mesmo, ao abandonado Sandoval Wanderley dar a noticia do fim do Auto e pedir, no mínimo, desculpas. As tentativas de justificar o injustificável são como folhas secas, que não resistem a menor brisa.

Durante todos esses anos o Auto recebeu inúmeras críticas feitas pelos próprios artistas, mas, muito pouco se avançou, a ideia de um espetáculo democrático com rotatividade de elenco, dramaturgia e direção nunca amadureceu. O Auto é refém do tempo, feito a “toque de caixa” e muitas vezes estreando sem que o palco e a iluminação estivessem cem por cento prontos, ainda assim, o Rio Grande do Norte e a cidade de Natal assumiram os Autos como a ponta do “fazer cultura”. Os autos se transformaram numa maquiagem para a cultura o que impede o seu crescimento artístico pedagógico. Os Autos escondem o que nós artistas passamos durante 12 meses por ano, escondem a dificuldade de se fazer arte, o desinteresse dos gestores, a falta de políticas públicas, e a falta de iniciativa da câmara de vereadores para criar e aprovar projetos em prol da cultura. Talvez a não realização, tanto do Auto do município, como o do Estado, revele à população o quanto estamos abandonados, artistas e espectadores. Durante séculos e séculos a arte foi refém do coronelismo onde se oferece apenas “pão e circo”. A população se acostumou a compreender arte apenas pela veia do entretenimento fútil que enfatiza o consumismo, o sexo e o uso de drogas, ou, como uma forma medieval de proclamar a palavra de Deus e as histórias bíblicas. A maneira de se compreender cultura dos gestores públicos é presa à necessidade de alienar o povo, e seus joginhos de poder oprimem a população que não tem acesso à arte e não sente a necessidade de ter acesso, pois sua condição de cidadão é se contentar com muito pouco ou quase nada. Assim como o “tapa-buraco” esconde a necessidade de um novo asfalto, a pintura do posto de saúde esconde a falta médicos, a farda dos alunos esconde os números vergonhosos da educação no Brasil, a prática de fazer shows e eventos pomposos esconde a falta de políticas culturais de fomento ao artista e seus fins, sendo essa a única maneira de fazer cultura, oferecer ao artista suporte para que ele leve arte as comunidades, escolas, e todas as esferas sociais. Nós não recebemos incentivos para manter sedes, montar espetáculos, investir em formação, oferecer oficinas, criar centros artísticos e circular em outros lugares. Fato é que durante muitos anos se mantiveram as maquiagens, eventos magníficos que chamam a atenção da impressa, que dentro da cidade mostra não compreender nossa língua se detendo sempre ao sensacionalismo dos fatos e pouco ao fomento a cultura como um todo, para “Autos” e “Baixos”. Hoje vemos que o estado e o município não coseguem nem mesmo manter a maquiagem, seu rímel esta seco, seu batom não tem cor e seu pó é uma poeira velha. “Quem não tem cão caça com gato”, “dente por dente, olho por olho”. É assim que vivemos.

Em nossa cultura não podemos ser pessimistas, o homem já chegou à lua, as ideias já evoluíram muito, revelo minhas esperanças em ver um dia gestores que sabem o que estão fazendo, não podemos votar em pessoas sem crédito para lidar com os problemas sociais. A atividade política requer estudo, dedicação, experiência e, seu candidato deve ter, ao seu lado, bons profissionais, bons técnicos, para se tornarem secretários e funcionários éticos e competentes. Se seu candidato não preenche esses requisitos não vote. De certa forma Micarla de Souza é um espelho de nossos eleitores e a FUNCARTE é um espelho de nossos artistas. O município precisa fazer um mapeamento artístico, descobrir as nossas necessidades para daí criar junto aos vereadores uma lei de fomento que fortaleça nosso fazer, se precisamos de dez milhões é em cima disso que se deve correr atrás. Se a cultura está ligada à saúde, educação e turismo então, outras secretarias devem também investir e, assim correr para um horizonte em que a população vai descobrir finalmente o prazer de ver e fazer arte, arte pela arte, pelo homem, não pelo sexo, a bebedeira ou a religião. Uma vez que a cultura estiver junto a saúde, educação e o desenvolvimento social, se tornará um direito do cidadão e uma obrigação do município.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Oficina com Maurice Durozier (Teatre Du Soleil)


A convite dos Clowns de Shakespeare tive a oportunidade de fazer a oficina com Maurice Durozier ator do Teatre do Soleil (França). A oficina faz parte do projeto “Hamlet” dos Clowns e eles abrem mais uma vez seu espaço para alguns convidados da cidade, afirmando sua estética de teatro de grupo apostando na formação e criação pautada na troca e no intercambio entre artistas, onde suas experiências se tornam inspirações, sonhos e matérias.


A magia dos tecidos

Na oficina tivemos a oportunidade de vivenciar como se deu o processo de criação do Teatre Du Soleil na construção de Shakespeare com as obras Ricardo II e Henrique IV, espetáculo em que o Solei busca a estética dentro da cultura oriental mais precisamente no universo do Samurai e do teatro oriental. De inicio Maurice trabalhou a construção dessa figura (ator e samurai), o chapéu e o quimono criados a partir de tecidos e retalhos, tínhamos pouquíssimas roupas orientais, mas os tecidos e figurinos de outros espetáculos dos Clowns “caíram como uma luva” nas mãos de Maurice e o resultado foram fantásticas roupas orientais cheias de cores e formas. Esses figurinos foram o carro chefe da oficina, neles sentíamos a atmosfera e os estados do trabalho, serviam como um portal mágico para o lúdico onde nos tornamos crianças brincando de fazer e ser.


Espaço sagrado

Maurice trabalhou com total cuidado o espaço de criação, iluminação com ribaltas, contras e frentes, o linóleo com cinco caminhos, um pano de fundo vermelho, a coxia, o espaço dos guardas pretos (atores que faziam a contra-regragem) e um espaço para a música, cheio de instrumentos. Esse lugar se tornou totalmente criativo, me fazia sentir o público e parecia que antecipava meses e meses de montagem. Tornava o espaço sagrado.


Devorar o outro

A oficina foi um mergulho em matérias e tudo se tornava pré-texto, em meu diário nada além de tudo, todos os elementos em um único passo em uma única entrada, “estado”, prepare-se e manipule seu estado, respire a cena, sinta e mais que tudo devore o outro, se dê ao seu parceiro é no outro que encontro o meu caminho, é na imitação da vida que encontro minha matéria, nesse teatro ser objetivo é essencial, é um jogo “Rugby” eu preparo para o outro, protejo o outro, passo confiança e consigo a verdade do teatro que é uma mentira absoluta.


O que é que queres saber criatura?

Para encerrar Maurice fez uma conferência (aberta ao público) narrando sua vida de ator peregrino. Sua conferência me lembrou um livro que aconselho aqueles que querem aprender e ensinar “As Seis Lições de Boleslaviski” em que uma atriz iniciante encontra um mestre que lhe ensina de forma sublime seis lições básicas para a arte de ator. Na conferência realizada por Maurice, sua filha (interpretada por uma atriz), faz perguntas sobre seu oficio de ator e nós conhecemos um pouco da vida de Maurice Durozier e descobrimos um homem apaixonado, um peregrino de auroras e alvoradas, de sua cidade, de sua avó que era uma atriz errante, de uma viagem fantástica a Índia, das suas idas e vindas no Soleil, do artista de Happenings, da violência, da loucura e de todas as aflições, das máscaras e dos medos da carreira de um ator. Não seria bom descrever aqui suas experiências, tudo que peço é que se você tiver oportunidade de assistir a conferência de Maurice, corra não perca tempo, pois lá, de forma extrovertida e ritualística o tempo para.
Shakespeare. Ser mitológico do nosso teatro ocidental. Nunca tive oportunidade de vivê-lo (sempre fugi, talvez por medo), apenas em duas experiências em oficinas com o Clowns, uma com Ricardo III e agora o rei Ricardo II e Henrique IV. É no estudo que entendemos sua grandiosidade. E como a poesia e a critica se sobrepõe ao próprio texto. É muito louco, é lindo e não é para todos, acredito fielmente que o Grupo Clowns de Shakespeare escolheu seu caminho e vem seguindo com total clareza e maturidade, acredito demais em suas escolhas, as escolhas são difíceis espero que essa escolha seja trilhada cheia de obstáculos nada fáceis de serem ultrapassados, pois se fácil fosse, sentido algum teria. Muito obrigado aos Clowns e Fernando. Recordo em exercício de memória que enquanto estava em cena com os amigos Maurice disse que apenas poetas podem fazer Shakespeare, acho que alma de poeta é o que o grupo tem no nome, na força que os mantém juntos e na força que agrega novos componentes e esse mergulho em sua identidade é sem volta. Valeu mais uma vez “Poetas de Shakespeare”.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Abaixo esses criminosos (chegou no meu email e está postado!)



Ontem, os deputados federais mostraram a cara e não votaram o projeto de lei FICHA LIMPA.. Para quem não sabe, ontem, foi rejeitada a votação, na Ordem do Dia da Câmara Federal, o Projeto de Lei FICHA LIMPA, que impede a candidatura a qualquer cargo eletivo, de pessoas condenadas em primeira ou única instância ou por meio de denúncia recebida em tribunal ? no caso de políticos com foro privilegiado ? em virtude de crimes graves, como: racismo, homicídio, estupro,homofobia, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas...



A IMPRENSA FOI CENSURADA E ESTÁ IMPEDIDA DE DIVULGAR ! PORTANTO, VAMOS USAR A INTERNET,PARA DAR CONHECIMENTO AOS OUTROS 198.000.000 DE BRASILEIROS QUE OS DEPUTADOS FEDERAIS TRAÍRAM 



ISTO É UMA VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!